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Parte da Crónica: Pelos Olhos da Minha..

... Aurora

Escrito por: Bárbara Leston-Bandeira 36

Espero que a minha Aurora faça parte de uma geração de pessoas generosas, empáticas, de sucesso, bem resolvidas.

... Aurora

Aurora é um nome com muitos significados. Por um lado, uma aurora é o efeito causado pelos raios de luz originados por tempestades magnéticas; por outro lado, será o nome da filha que eu ainda espero ter. É também o nome da minha bisavó, uma mulher de luta e uma senhora sobre a qual ainda virei a escrever.

Porque é que escrevo sobre a minha Aurora, ainda por nascer?

Porque quero ter esperança. Que a geração dela, a Geração Beta, a surgir a partir de 2025, seja melhor que as anteriores. Que finalmente aprendam com os erros do passado.

Porque gostava muito que o mundo caminhasse para melhor. Que as tecnologias que o Homem desenvolve, cria, na esperança de prolongar a vida, de fazer desta rocha a que chamamos casa seja um sítio melhor, não nos dominem, não nos atrofiem, não nos virem para o nosso umbigo, sem espaço para o outro.

Somos seres imperfeitos, de memória curta. Coisas que aconteceram tão recentemente, como há menos de 100 anos, começam a cair no esquecimento. Dizem os entendidos que a Geração Beta vai ser mais tolerante. Quero muito acreditar que seja verdade, mas assusta-me o rumo que nos vejo a seguir.

Espero que a minha Aurora faça parte de uma geração de pessoas generosas, empáticas, de sucesso, bem resolvidas. Utopia, dirão vocês. Claro que sim. Mas o que seria de nós sem o sonho? Para quê ter filhos senão para esperar que eles vivam num Mundo melhor? E que, de caminho, o tornem melhor para quem vem depois.

A rápida evolução das tecnologias requer que já nasçam a saber mexer com elas. Até os alfas são assim, de certa forma. Passemos um telemóvel ou um tablet para a mão de uma criança dos dias de hoje e é como se soubessem mexer com eles melhor do que alguns de nós. Teremos nós de acompanhar esta evolução para os conseguirmos guiar. Se os alfas estão expostos às redes sociais desde que nascem, os betas vão estar expostos a coisas como inteligência artificial banalizada (esperemos que regulamentada), robótica (quem é que ainda não tem um aspirador inteligente?), realidade virtual (já ouviram falar do Metaverso?).

O ambiente é uma preocupação de hoje. Deveria ter sido uma preocupação de ontem. Será com certeza um tema muito importante na vida da minha Aurora. Preservar a biodiversidade, cuidar das cidades para que não sejam tão poluentes, inovar na arquitetura, na sustentabilidade dos materiais. Que nunca lhes falte água e ar respirável! Não temos outro planeta. Por enquanto! Talvez sejam os betas que nos levam a explorar o Universo!

Se atualmente sentimos que não podemos falar tão abertamente porque todos se ofendem com pouca coisa, espero que, quando a minha Aurora chegar à idade adulta (ou mesmo antes), se tenha atingido o equilíbrio nesta luta de falar assertivamente sem diminuir o outro. De podermos expressar a nossa opinião, respeitando as diferenças individuais. Que se ganhe alguma resiliência e calo, mas também capacidade de comunicação com empatia.

Já estamos numa altura em que a tecnologia nos ajuda a viver mais tempo. Pessoas amputadas têm membros de fibra de carbono, que lhes permitem levar uma vida praticamente normal, inclusive entrar em competições desportivas. Conseguimos ter a capacidade de imaginar o que se seguirá? Órgãos artificiais, acabando com a necessidade de dadores; partes de corpo feitas do zero com recurso a impressoras 3D e tecido humano criado a partir de células. A imaginação é o limite.

Será durante o tempo de vida da minha Aurora que veremos o ser humano a viver em máquinas? Conseguiremos a imortalidade?

Não tenho respostas. Só perguntas. Muitas inquietações também, porque apesar de ser uma otimista, todo o reverso destas esperanças é muito assustador.

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