Saltar para conteúdo
Parte da Crónica: Politiquices

Eleições, outra vez?...

Escrito por: Bárbara Leston-Bandeira 54

Vivemos em democracia, somos livres de votarmos em quem quisermos. Se eu quisesse votar nos Ena Pá 2000, tê-lo-ia feito.

Eleições, outra vez?...

Há padrões nas eleições presidenciais em Portugal que não falham. Temos um governo de direita, e as pessoas tendem a votar à esquerda para presidente da república. Quando tivemos um governo de esquerda, aconteceu o oposto. Com consciência ou não, os portugueses procuram o meio termo entre quem nos governa e quem arbitra quem nos governa. Faz sentido? Na minha opinião, claro que sim.

Há 2 lados nestas eleições. O lado de quem vota, e o lado de quem comenta o resultado de quem votou. A ouvir os comentários da noite eleitoral, há coisas óbvias que parece que os comentadores se esquecem. Os argumentos podem estar correctos na sua forma, mas não quer dizer que sejam válidos no conteúdo.

Vivemos em democracia, somos livres de votarmos em quem quisermos. Se eu quisesse votar nos Ena Pá 2000, tê-lo-ia feito. Ver os candidatos presidenciais a endossar votos, ou a deixar de o fazer, baralha-me. Se eu tivesse votado em Manuel João Vieira, teria de votar agora em quem ele quisesse que eu votasse? Como assim? Não me passa pela cabeça que ele, ou qualquer outro candidato, seja dono do meu voto. Continuamos a ser livres. Se eu agora quisesse (que não quero) votar à direita, fá-lo-ia.

Ver que o primeiro ministro não “endossa” ou recomenda votos não me choca. Ele tem direito à sua opinião pessoal, mas enquanto primeiro ministro não manda no meu voto. Deveria ter-se distanciado do extremismo pessoalmente, institucionalmente, mas não para nos “mandar” votar em seja quem for.

António José Seguro é, deveria ser sem qualquer dúvida, a escolha de qualquer democrata. O extremismo moderado não existe. Se há coisa que aprendi nesta vida é que as pessoas são coerentes consigo próprias. O outro candidato, cujo nome não pronunciarei, diz tudo e o seu contrário. Agarra-se a frases feitas e espalha-as. A atenção que a comunicação social dá aos pequenos espectáculos que dá em cada intervenção é completamente desproporcional à sua importância e só acontece porque é um circo.

Até podíamos, colectivamente, castigar este senhor, elegendo-o realmente a presidente da República. Primeiro, porque não é o que ele verdadeiramente quer. E segundo, quem é que vai liderar o partido do culto da personalidade quando ele estiver no Palácio de Belém? A única coisa que me dá alguma hesitação é a possibilidade de revisão da constituição. E se, de repente, as mulheres deixarem de poder votar? Ou voltarmos ao tempo de Salazar em que não podem trabalhar, viajar e outras coisas sem autorização do marido? Que seria de mim, que não sou casada?

O comentário político é um circo por si só. As pessoas não comentam, opinam, querem influenciar porque o seu argumento é o mais válido de todos. Hoje em dia, evito ouvi-los e vê-los, porque me irritam profundamente. Somos todos resultado das nossas experiências dentro do nosso contexto altamente particular, pessoal e intransmissível. Não vamos todos pensar da mesma maneira e não vamos todos chegar à mesma conclusão. A não ser para a segunda volta. Sejam inteligentes.

Comentários (0)

Ainda não há comentários. Seja o primeiro a comentar.

Deixe um comentário